5 de dezembro de 2015

Eu sou...



Sou o Cisne que lança voo em direção ao poente...
Sou o Carvalho que cresce firme sobre a terra...
Sou o Gavião que descansa no alto da mãe Samaúma...
Sou a Corça que caminha docemente pelos bosques...
Sou o vento que sopra na alvorada...
Sou a terra molhada depois da chuva...
Sou o sol nascendo no santo Dia de Brighid...
Sou a terra abaixo de meus pés...
Sou o céu acima da minha cabeça...
E sou as águas que fluem dentro e ao redor de mim.

(por Mayra Darona Ní Brighid, em 05/12/2015,
Lua Negra, pós Lua Vermelha)

18 de agosto de 2015

Ecologia Feminina - A relação da mulher com a Terra (por Ana Paula Silva)


"A Ecologia Feminina é uma prática que a mulher tende a procurar quando deseja se harmonizar com a natureza. 
Gestos tão simples que encontramos em nossas avós e ancestrais significam muitas vezes para nós, mulheres modernas, uma revisão da própria vida, quando colocamos em cheque tabus e hábitos, para construir uma relação mais harmoniosa de cuidado com o próprio corpo e com o Planeta.
Nas  culturas indígenas e maias  a Terra é vista como a Grande Mãe que nos dá abrigo e nos alimenta, segundo essas culturas, a existência humana é essencialmente conectada ao Planeta. As qualidades femininas da natureza são expressas pela receptividade da Terra ao receber, acolher, nutrir e oferecer todos os recursos necessários para que a planta germine, cresça, floresça e produza novas sementes concebendo suas múltiplas expressões de vida. 
Podemos observar práticas femininas ancestrais e ecológicas, como a devolução do ciclo menstrual para nutrir a Terra, que foram modificadas pela cultura e de maneira efetiva desconectaram a mulher do cuidado consigo mesma e com o Planeta. 

Segundo o site Museu da Menstruação (http://www.mum.org/), no ano de 1888 os absorventes femininos começaram a ser vendidos, eram aqueles em formato de almofada, adaptações dos que as enfermeiras norte-americanas preparavam para elas próprias usarem, feitos de gaze e outros materiais hospitalares a que tinham vasto acesso. Desde então o absorvente feminino descartável passou a ser comercializado com forte apelo publicitário à sua praticidade, marcando início à era dos descartáveis. As primeiras propagandas veiculadas para o produto, em 1921, pela Kotex, destacavam que os absorventes descartáveis eram muito mais limpos e assépticos, confortáveis.  Mas atualmente na contramão de todas as campanhas, vêm crescendo o movimento que quer abolir os absorventes descartáveis volta absorventes de tecido, por serem uma  solução mais natural para a pele sensível da vulva, além de muito mais econômicos e praticamente não-agressivos ao meio ambiente.
A Ecologia Feminina é um termo muito abrangente e profundo, e pelo viés da sustentabilidade, podemos identificar pelo menos cinco temas de grande impacto e muito palpáveis a todos nós: Consumo Consciente; Lixo: Absorventes Femininos e Fraldas Descartáveis; Humanização do Parto; Aleitamento Materno e Educação Ativa.

Consumo Consciente
Quando optamos por financiar pessoas e empresas que estão fazendo a sua parte, também fortalecemos esse trabalho. Nossas decisões de consumo são como os votos em uma eleição: o maior número decide quem ganha. Por isso, quanto mais optamos por produtos e empresas realmente preocupadas em fazer do mundo um lugar melhor, mais fortalecemos esse movimento e mais rápido veremos as mudanças necessárias.
Praticar o consumo consciente significa buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade socioambiental, maximizando as conseqüências positivas deste ato não só para si mesmo, mas também para as relações com a sociedade, economia e natureza. Este também busca disseminar o conceito e a prática do consumo responsável, fazendo com que pequenos gestos realizados por muitas pessoas promovam grandes transformações.

Sugestões de práticas visando o consumo consciente:

 - Comprar roupas, alimentos e outras mercadorias na medida certa para o consumo individual ou da família, visando evitar ao máximo o desperdício;
- Gastar água e energia somente o necessário, evitando ao máximo o desperdício;
- Reutilizar produtos e bens naturais sempre que possível;
- Promover a separação e reciclagem do lixo;
- Usar sistemas que evitem o desperdício de água e energia nas residências;
- Valorizar e adquirir produtos de empresas que demonstram preocupações sociais e ambientais;
- Utilizar sacolas retornáveis para transportar os produtos adquiridos em supermercados;
- Valorizar o consumo de produtos orgânicos que, além de serem benéficos à saúde, a produção envolve práticas de respeito ao meio ambiente.

Lixo: Absorventes Femininos
Uma mulher que utiliza absorventes descartáveis para conter seu fluxo menstrual produz, desde a sua puberdade até a menopausa, aproximadamente 10 a 15 mil absorventes descartáveis de lixo, resíduo excessivo e de grande impacto ecológico para o Planeta. 

Absorventes e tampões descartáveis são feitos de papel alvejado, plástico e contêm ingredientes químicos inconvenientes à saúde da mulher, como metais, surfactantes, desinfetantes, fragrância, bactericida, fungicida, gel absorvente, colas, traços de organocloretos  (pesticidas), entre outras coisas. A legislação brasileira não regula os componentes dos produtos menstruais e as indústrias não precisam listá-los nas embalagens.

Componentes como organocloretos e dioxina, subprodutos do processo de branqueamento, têm sido associados a problemas de saúde em humanos e animais, contribuindo para o câncer de mama, deficiências do sistema imunológico, endometriose, defeitos no feto e câncer de colo de útero (cérvix).

Alternativas ecológicas disponíveis:

Além de serem práticas, econômicas e ecológicas, visto que custam menos ao bolso e reduzem consideravelmente a produção de lixo no Planeta, o uso das alternativas abaixo incentiva a valorização e aceitação do processo natural do corpo. Em ambos os casos o sangue pode ser devolvido para a natureza como adubo e alimento para as plantas, pois contém uma gama de nutrientes e energia vital que fertilizam a Terra.
Absorventes femininos de pano são laváveis, confeccionados em tecido de algodão, permitem ao corpo respirar livre de produtos químicos e plástico e não contêm químicas.

Copo coletor de silicone: além de ter a praticidade de ser interno, é reutilizável e lavável, e pode ser fervido para esterilização ao final do ciclo, ou colocado em água oxigenada por algumas horas antes de ser guardado para o mês seguinte. Normalmente possui durabilidade média de 10 anos".

5 de abril de 2014

Seja o Cisne


"Talvez o maior desafio da vida moderna seja sermos nós mesmos em um mundo que insiste em modelar nosso jeito de ser.

Querem que deixemos de ser como somos e passemos a ser o que os outros esperam que sejamos.

Aliás, a própria palavra “pessoa” já é um convite para que você deixe de ser você.

“Pessoa” vem de “Persona”, que significa “máscara”.

É isso mesmo: coloque a máscara e vá para o trabalho.

Ou vá para a vida com a sua máscara.

Talvez o sentido do elogio: “Fulano é uma boa pessoa”, signifique na verdade: “Ele sabe usar muito bem a sua máscara social”.

Mas qual o preço de ser bem adaptado?

O número de depressivos, alcoólatras e suicidas aumenta assustadoramente.

Doenças de fundo psicológico como síndrome do pânico e síndrome do lazer não param de surgir.

Dizer-se estressado virou lugar-comum nas conversas entre amigos e familiares.

Esse é o preço.

Mas pior que isso é a terrível sensação de inadequação que parece perseguir a maioria das pessoas.

Aquele sentimento cristalino de que não estamos vivendo de acordo com a nossa vocação.
E qual o grande modelo da sociedade moderna?

Querer ser o que a maioria finge que é.

Querer viver fazendo o que a maioria faz.

É essa a cruel angústia do nosso tempo: o medo de ser ultrapassado em uma corrida que define quem é melhor, baseada em parâmetros que, no final da pista, não levam as pessoas a serem felizes.

Quanta gente nós não conhecemos, que vive correndo atrás de metas sem conseguir olhar para dentro da sua alma e se perguntar onde exatamente deseja chegar ao final da corrida?

Basta voltar os olhos para o passado para ver as represálias sofridas por quem ousou sair dos trilhos, e, mais que isso, despertou nas pessoas o desejo de serem elas mesmas.

Veja o que aconteceu a John Lennon, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Isaac Rabin…

É muito perigoso não ser adaptado!

Essa mesma sociedade que nos engessa com suas regras de conduta, luta intensamente para fazer da educação um processo de produção em massa.

A maioria das nossas escolas trabalha para formar estudantes capazes de passar no vestibular.

São poucos os educadores que se perguntam se estão formando pessoas para assumirem a sua vocação e a sua forma de ser.

Quantos casos de genialidade que foram excluídos das escolas porque estavam além do que o sistema de educação poderia suportar.

Conta-se que um professor de Albert Einstein chamou seu pai para dizer que o filho nunca daria para nada, porque não conseguia se adaptar.

Os Beatles foram recusados pela gravadora Deca!

O livro “Fernão Capelo Gaivota” foi recusado por 13 editoras!

O projeto da Disney World foi recusado por 67 bancos!

Os gerentes diziam que a idéia de cobrar um único ingresso na entrada do parque não daria lucros.

A lista de pessoas que precisaram passar por cima da rejeição porque não se adaptavam ao esquema pré-existente é infinita.

A sociedade nos catequiza para que sejamos mais uma peça na engrenagem e quem não se moldar para ocupar o espaço que lhe cabe será impiedosamente criticado.

Os próprios departamentos de treinamento da maioria das empresas fazem isso.

Não percebem que treinamento é coisa para cachorros, macacos, elefantes.

Seres humanos não deveriam ser treinados, e sim estimulados a dar o melhor de si em tudo o que fazem.

Resultado: a maioria das pessoas se sente o patinho feio e imagina que todo o mundo se sente o cisne.

Triste ilusão: quase todo mundo se sente um patinho feio também.

Ainda há tempo!

Nunca é tarde para se descobrir único.

Nunca é tarde para descobrir que não existe nem nunca existirá ninguém igual a você.

E ao invés de se tornar mais um patinho, escolha assumir sua condição inalienável de cisne!"

(Roberto Shinyashiki)


("Swan", by Cilla Conway).