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5 de dezembro de 2015

Eu sou...



Sou o Cisne que lança voo em direção ao poente...
Sou o Carvalho que cresce firme sobre a terra...
Sou o Gavião que descansa no alto da mãe Samaúma...
Sou a Corça que caminha docemente pelos bosques...
Sou o vento que sopra na alvorada...
Sou a terra molhada depois da chuva...
Sou o sol nascendo no santo Dia de Brighid...
Sou a terra abaixo de meus pés...
Sou o céu acima da minha cabeça...
E sou as águas que fluem dentro e ao redor de mim.

(por Mayra Darona Ní Brighid, em 05/12/2015,
Lua Negra, pós Lua Vermelha)

5 de fevereiro de 2014

Na minha terra...

Na minha terra não tem Carvalho, mas tem Samaúma.
Na minha terra não tem Aveleira, mas tem Açaí.
Na minha terra não tem corvo, mas tem urubu e tem anu.
Na minha terra não tem cisne, mas tem garça.

Onde eu nasci não tem tinta azul.
Mas pra se pintar, usamos jenipapo e urucum.
Onde eu nasci não tem zimbro, mas tem breu e priprioca.
Onde eu nasci não faz frio,
Mas quando chove a gente deita na rede e se embala com a canção do vento e da chuva. E se der, ainda come uma tapioca.

Se isso me afasta do Druidismo ou dos Celtas antigos, eu vos digo: pelo contrário. Isso me aproxima deles e me religa ao que tem de mais sagrado: a Natureza.


Mayra (Darona) Ní Brighid.

(Raízes de uma samaúma, foto de Araquem Alcântara).



16 de janeiro de 2013

Conta, ó bardo!



Conta, ó querido bardo,
As histórias antigas
De tempos de outrora
E que ainda guardas de mansinho
Em tua memória.
Conta meu amigo,
Conta calminho,
Conta mansinho,
Conta estrondoso,
Ou então silencioso,
Os versos que ouvira ao redor do fogo.
Conta...
Canta...
Me encanta.
E quem sabe ao cair no sono
Os deuses me venham em brilho gracioso
Soprando-me cantigas de um tempo formoso.
Conta...
Canta...
Me acalanta.
E me diz o segredo do sol, da lua e cada planta.
Me ensina a ouvir as estrelas, as árvores e o vento,
Pra que a magia desperte em mim nesse momento.
Conta, ó querido bardo
O que ninguém mais sabe
O sabor da chuva
E o coração da terra que bate
A mensagem no voo do pássaro
E a passagem escondida no teu passo.
Quem sabe a lembrança saia do esquecimento
E no coração humano desperte um antigo,
Porém, novo sentimento.

(Darona, em Terras Aquirianas, 06/01/2013)

5 de setembro de 2012

Canta, ó Cisne!


Canta, ó Cisne!
E encanta o mundo com o teu canto.
Que os Deuses e homens esperam há muito por esse reencontro.
Abre tuas asas, ó ave magnífica,
e ergue tua alma aos céus.
Eleva tua canção aos deuses e ancestrais,
e aguarda pelo abrir do véu.
Abre tua mente para a sagrada inspiração,
e sente o fogo aquecer teu corpo e coração.
Tal como a luz do sol se deita sobre o mar,
e como a chuva beija a terra.
Que os Deuses soprem em teus ouvidos a sabedoria, 
E tuas palavras sejam os suspiros de divina paz e alegria.
Canta, Cisne, canta! E nos encanta...

4 de setembro de 2012

Mãe Amazônia

Amazônia encantada,
Teu corpo é a terra fecunda e teu sangue são as águas escuras.
Teu espírito está em tudo e em todos que de ti nascem.
Teu sopro está nos ventos que correm sobre os rios e despenteiam as árvores.
Teu pranto de dor e alegria está nas chuvas que molham as ruas e nossas faces.
Mãe Amazônia, terra sofrida e esquecida.
Que teus filhos escutem o teu pulsar uma vez mais e sintam que é a tua Vida que os anima.
Sou tua filha, nasci de teu corpo, e para o teu corpo no fim dessa vida eu voltarei.
Que minha voz seja a Tua voz, que meu pranto seja o Teu pranto, que minha vitória seja a Tua.
E quando no fim dos meus dias eu me deitar sobre teu doce colo, que meus filhos e os filhos deles se lembrem que Tu, Mãe Amazônia, és a nossa mãe primeira.

(Darona ní Brighid)


(Imagem de Don Pablo Amaringo)


* Em homenagem ao dia da Amazônia, 05 de setembro.

27 de maio de 2012

Uma Canção Feérica

"Diarmuid and Grainne's Bed" (foto de Cutan Burn, do Flickr)

(Cantado pelo povo das Fadas sobre Diarmuid e Grania, em seu sono nupcial embaixo de um Cromlech)

Nós que somos antigos, antigos e alegres
Oh tão antigos!
Milhares de anos, milhares de anos,
Se tudo foi dito:
Dê a essas crianças, novas do mundo,
Silêncio e amor;
E as longas horas de gotas de orvalho noturnas,
E as estrelas acima:
Dê a essas crianças, novas do mundo,
Descanso longe dos homens.
Há algo melhor, algo melhor?
Diga-nos então:
Nós que somos antigos, antigos e alegres,
Oh tão antigos!
Milhares de anos, milhares de anos,
Se tudo foi dito.

(William Butler Yeats)


***

A Faery Song

(Sung by the people of Faery over Diarmuid and Grania,in their bridal sleep under a Cromlech.)


We who are old, old and gay,
O so old!
Thousands of years, thousands of years,
If all were told:
Give to these children, new from the world,
Silence and love;
And the long dew-dropping hours of the night,
And the stars above:
Give to these children, new from the world,
Rest far from men.
Is anything better, anything better?
Tell us it then:
Us who are old, old and gay,
O so old!
Thousands of years, thousands of years,
If all were told.

(William Butler Yeats)