9 de janeiro de 2013

26. Distrações


Ah é... Distrações... Deixei-me levar muitas vezes pela distração enquanto escrevia os 30 Dias. Às vezes isso era bom, porque pensava mais sobre o tema, e certos momentos as palavras vinham quase prontas na minha mente, por inspiração e intuição. Mas outras vezes era ruim, porque deixava a distração tomar um rumo que não deveria, e acabava perdendo muito tempo e às vezes o dia.

O mundo atual nos enche de distrações, algumas são úteis, outras, definitivamente não. Televisão, consumismo, internet... Ah essa internet, e em especial, o facebook, esse “mardito” rs. Por um lado é maravilhoso, pois me aproxima de pessoas que estão distantes de mim no momento, mas por outro é uma praga, pois prende a atenção por horas enquanto tenho uma penca de coisas a fazer... É, eu sei que você me entende rsrs. Quem nunca?
O nosso desafio é saber distinguir justamente qual distração nos é útil e qual não é. Muitas vezes estamos tão focados num trabalho ou tarefa que uma distração se torna saudável e necessária. Sair para caminhar um pouco, assistir a um bom filme, ler um livro, ouvir uma música, tocar um violão, acessar a internet, muitas vezes clareia a nossa mente e traz ideias que provavelmente não teríamos se continuássemos concentrados (e cansados) diante da tarefa. O problema é quando nos deixamos distrair demais e esquecemos o nosso foco.

Não vejo nenhum problema em pessoas que gostam de assistir novelas e futebol, o problema é quando a pessoa não vive sem isso ou quando esse tipo de distrações está fritando seus cérebros... Cuidado com o que a mídia e a cultura de massa impõem às nossas mentes, olhos e ouvidos. “Reality shows”, músicas com letras vazias e baixas, consumismo cego, jornais cuja página principal mostra foto de mulher seminua ao lado de um corpo morto de uma pessoa... Isso tudo só nos tira a atenção do que é importante e nos idiotiza. Como diz o velho ditado, “meu ouvido não é pinico”, mas eu acrescentaria “meu ouvido, meus olhos e minha mente não são pinico”.
Somos afetados de alguma forma por aquilo que vemos e ouvimos. As imagens, cheiros e sons afetam positivamente ou não nossas mentes e corpos. E isso não é nenhuma especulação, cientistas já comprovaram isso. Se você tivesse consciência do que cada coisa que você ouve ou vê provoca em seu corpo e mente, o que você faria? 

8 de janeiro de 2013

25. Pisando Leve

Esse tema relaciona-se com o “Vida Consciente”, que escrevi há uns dias atrás. Mas vai mais além... A ideia de pisar leve me faz pensar em cuidado. Cuidado com a Terra que nos sustenta e acolhe, cuidado com os seres a nossa volta, animais, vegetais, cuidado com nossos semelhantes, cuidado com nós mesmos...
Enquanto pensava sobre o que escrever nesse tema, deparei-me na internet com a foto (abaixo) de uma preguiça e seu filhote. E percebi que a preguiça é o animal por excelência que representa o “pisar leve” no mundo, além de ser fofa demais!


Seus movimentos calmos e lentos, seu olhar sereno e um “sorriso” manso, nos mostram o oposto do que a sociedade nos instiga a ser: apressados, barulhentos e preocupados, em grande parte com coisas fúteis.
A preguiça, com seu jeito manso e calmo de viver, nos mostra a paz que precisamos ter. O olhar de uma preguiça me passa justamente isso, paz.

Se você não tem o hábito de “pisar leve”, tente passar um dia sendo como a preguiça, calmo, silencioso, sereno... Para alguns isso pode ser tremendamente difícil, mas tente, mesmo que só por um dia. Se não conseguir, tente outros meios. Meditação, terapia, música, um banho no mar ou rio, dança circular, dança do ventre, prática de um esporte... Há tantos meios para encontrar a paz. O estado de “ser preguiça” ou de “pisar leve” é muito mais um estado interior e um modo de ser e viver. Algo que brota de dentro pra fora, que transborda e reflete ao redor... E até contagia quem está perto.
Que tal começarmos a ser um pouco mais como o bicho-preguiça? Fazer uma pausa, ler um livro, dedicar-se a uma arte, compor poemas ou canções, estar na companhia de pessoas queridas, dormir, meditar, silenciar, ouvir, sentir... Com certeza seremos mais felizes, ou no mínimo, mais serenos.

6 de janeiro de 2013

24. Trabalho

No Druidismo, com o foco reconstrucionista, há lugar para todos. Artesãos, guerreiros, druidas, bardos, vates, devotos... Todos são bem-vindos e têm reconhecida importância para o clã ou grupo. Nenhuma função é inferiorizada. Todos exercem suas funções com dedicação e prazer, pois cada pessoa tem a habilidade e o dom para ser aquilo que ela escolheu e que os deuses lhe destinaram. Exercer seu trabalho com excelência é uma virtude muito valorizada no Druidismo e RC.

Essa virtude não se restringe só a função no grupo druídico, mas se estende a vida profissional da pessoa. Médicos, professores, advogados, engenheiros, psicólogos, técnicos, diaristas, prestadores de serviços gerais, artistas, músicos, comerciantes, donas de casa... Não importa qual seja a sua profissão, exerça seu trabalho com dedicação, amor e excelência, pois não só a sociedade lhe verá com bons olhos, mas também os Deuses.


Fazer um trabalho com excelência e prazer é também uma forma de sacrifício/oferenda aos deuses e ancestrais. Diante de algum desafio no seu trabalho, peça ajuda e proteção aos deuses patronos daquela arte. E quando concluir a tarefa agradeça a eles e ofereça um “fruto” do seu trabalho. Advogados, professores, mestres e artistas tem afinidade particular com Ogma, Lugh, Dagda e Brighid. Médicos, enfermeiros, terapeutas e técnicos da saúde, com Brighid, Airmid, Dian Cecht, Belenos, Sulis e Endovelicon. Pescadores, marinheiros e pessoas que trabalham no mar ou nas águas, afinam-se principalmente a Manannan Mac Lir, Boann, Sequana. Policiais, seguranças, atletas e lutadores, com Morrighan, Ogma, Scathach, Cú Chullain e Lugh. E por aí vai. Mas isso não é regra. Médicos, por exemplo, podem perfeitamente afinarem-se a Morrighan. Esse tipo de afinidade que me refiro aqui está relacionada principalmente ao trabalho, ao “saber fazer” de cada pessoa, não exatamente a afinidade espiritual com as deidades (acredito que cada pessoa tenha um, ou mais, patrono ou matrona, que guia, inspira e protege a pessoa durante toda a sua vida e para além dela). De qualquer forma, afinidade é algo muito relativo e deve ser levada em conta a individualidade de cada pessoa.

Encarar o trabalho do dia-a-dia com dedicação e prazer é algo que traz benefícios para as pessoas a sua volta (ligadas ao seu trabalho ou não) e, sobretudo, a você mesmo. Nada pior do que uma pessoa que é infeliz no seu trabalho. Não só mau-humor ela terá, mas também sua saúde e emoções serão prejudicadas. Claro, que nem todos os dias acordaremos com alegria no peito, disposição e riso fácil. Mas se ao menos tivermos o compromisso de exercer com excelência e boa vontade nossas tarefas, o cansaço e a indisposição amenizarão, e a vida será mais leve e gostosa, com certeza.

“Eu me levanto hoje com a graça dos Deuses,
Que eu tenha a força de um touro,
A sabedoria do salmão,
A valentia do javali,
A beleza da borboleta,
A graça e o encanto do cisne.
Que haja excelência sobre minha casa,
Excelência sobre meus amigos,
E excelência sobre minha parte do trabalho”.
(Prece ao acordar).